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Queremos ver mais filmes complexos

Não se pode negar a qualidade dos efeitos especiais dos diversos filmes lançados atualmente. Não se pode negar também a qualidade das trilhas sonoras, dos figurinos e das atuações. Mas o que não se pode negar principalmente é: eles necessitam de mais complexidade. Sim, complexidade. Sabe, aquele ingrediente mágico capaz de explodir a sua cabeça em mil pedaços com os questionamentos e as diversas possibilidades de resolução.

Tal afirmação pode parecer estranha para muitos, mas não se engane ela pode ser facilmente comprovada com um experimento simples. Etapa número 1: assista a maior quantidade de filmes lançados agora, qualquer um mesmo, não precisa ser blockbuster – os principais acusados de serem pipoca, ou seja, que deixam o telespectador comer o lanchinho em paz enquanto contam à estória de ninar mais didática do mundo. Etapa número 2: tente encontrar qualquer sinal de mínima complexidade neles. Etapa número 3: observe os efeitos na cobaia que estórias tão mastigadas, fáceis, previsíveis mesmo, melhor dizendo, fazem.

Não precisa ser um gênio para saber serem às respostas tão óbvias quanto os filmes assistidos. Não foi encontrado nada de “mindfuck” nas obras, com exceção talvez de uma ou duas. A cobaia conforme o experimento se prolongava começava a aceitar ser aquela a melhor maneira de se contar uma estória e consequentemente procurava mais daquilo em outros filmes e se nessa busca frenética encontrasse um capaz de não entregar tudo de mão beijada taxava logo de chato e sem noção.

Tá, mas se eles não são nada disso, o que são, então? Bom, para começar não é porque um filme é complexo que ele não é chato e sem noção. A Pele em que Habito, de Pedro Almodóvar (2011) taí para provar como uma novela mexicana pode virar filme. E outra, não dá para defini-los como isso ou aquilo, pois os ditos “cult” sempre têm características diversas entrelaçadas, talvez isso os torne tão especiais. Mas é inegável que num geral uma das características geniais costuma se destacar. Veja, por exemplo, os finais alternativos, ou seja, os finais capazes de fazer dois amigos se matarem só para saber quem tem razão. Dois bons exemplos disso são A Origem, de Christopher Nolan (2010) e Cisne Negro, de Darren Aronofsky (2011). Outra é simbologia marcante, essa é bem visível em Cidade dos Sonhos, de David Lynch (2002) e em O Homem Duplicado, de Denis Villeneuve (2013). Tem também temas que por si só já são praticamente inacreditáveis como os contidos em Donnie Darko, de Richard Kelly (2001); Coherence, de James Ward Byrkit (2013) e Primer, de Shane Carruth (2004).

Todas essas características são muito marcantes nessas películas incomuns, porém a mais evidente é o fato de os grandes estúdios não estarem nem um pouco interessados em produzi-las. E não se pode tirar a razão deles, afinal tem como único objetivo:  LUCR$! Sobra, portanto como culpados os telespectadores. Esses ao ignorarem os mais fora da caixinha e correrem para os cinemas atrás do próximo Transformers mantém a roleta do mesmo girando.

Pode parecer besteira querer mais filmes complexos quando ninguém os quer, mas se a arte imita a vida e ambas se influenciam mutuamente chega-se a conclusão que o cenário não está bonito em nenhum dos lados.

Daiane Sousa

Diante da vastidão do espaço e da imensidão do tempo, é uma alegria para mim partilhar um planeta onde Carl Saga me ensinou a ter CONTATO com o COSMO, o universo NERD e tudo mais!

  • Marcos Vinicius Santos Batista

    Gostei demais prima, você é incrível…