É Halloween, apesar de que no Brasil essa data comemorativa nunca teve tanta influência, os tempos mudaram – e as festas também. A cultura Pop e a disseminação dos clássicos filmes de Terror ajudaram na propagação desse evento que era marcado pelos “Doces ou Travessuras?” estadunidenses e as maratonas de longas como O Exorcista, Psicose ou até o emblemático Halloween – A noite do Terror.

Apesar do ar muito recente que dei ao inicio do texto, a relação do brasileiro com o Terror já é antiga, principalmente para nós – nortistas e paraenses. Uma visitinha no interior, era tão assustador quanto os filmes do Hitchcock. Visagem, Curupira e Matinta Perêra fizeram parte dos assombrosos pesadelos de quem mora em uma das regiões mais folclóricas do país.

E não menospreze o potencial assustador de uma criatura que pega fogo e tem os pés virados para trás ou da maldição de uma velha que a noite assovia e grita vestida de preto procurando fumo, dentre outras criaturas como Cobra Grande, Mapinguari ou Boitatá que deixam as ideias de Guillermo Del Toro no chinelo.

Como podemos ver, assustar alguém daqui é uma tarefa difícil e títulos como “Historias assustadoras para contar no escuro” não nos convence e deixa a essência do gênero no esquecimento. Alguns autores renomados como Stephen King, famoso por seu terror vorazmente psicológico se tornou moda, com diversas obras adaptadas tanto às telonas quanto as telinhas.

Apesar de ter adorado Colheita Maldita, A maldição de Carrie (a primeira versão) e O Iluminado, confesso que nada mais me empolga nos filmes do King. Cemitério Maldito foi uma decepção assombrosa, assim como Torre Negra (e o livro é tão bom) e O Nevoeiro, pois essa marca de fazer filmes já cansou.

Por isso, muito me empolga quando assisto algo que me eriça os pelos do corpo ou que me deixa tão angustiado a ponto de eu querer explodir (eu nunca vou superar Suspiria de 1977). Há tempos não assisto algo que me cause o impacto de um bom filme de terror, a queridinha Netflix vem investindo nesse gênero, mas dificilmente acerta em uma obra.

Campo do Medo, Marianne e Apóstolo me fazem querer assistir qualquer filme do Adam Sandler antes de Uncut Gems e me causam esse leve desprezo ao gênero e nem me dou o trabalho de citar a antologia Invocação do Mal para exemplificar o quão defasado o Terror está.

Antes que a fan base me obrigue a apagar esse texto, quando falo do fracasso dessa geração em criar obras verdadeiramente aterrorizantes, não me refiro aos sustos, menciono a capacidade do filme de impregnar tão eficientemente no meu pensamento a ponto de eu ficar sem dormir ou sentir a necessidade ensandecida de desligar a Tv ou sair correndo da Sala de cinema.

Os Outros ( de Alejandro Amenábar) foi uma obra que me causou tanta angustia e desespero que me fez duvidar da minha capacidade cognitiva. Outras obras oscarizadas do subgênero Thriller psicológico também me deixaram devastado como O Silêncio dos Inocentes, Cisne Negro e o recente Corra! (Get out!), aqui e acolá alguns cristais são lançados e os fãs de filmes essencialmente perturbadores acabam fazendo trabalho de Garimpo em busca do título tão assombroso que os fará largar a pipoca no chão do cinema.

Dr. Sono (mais uma obra do Stephen sendo adaptada) está prestes a estrear e eu confesso que estou ansioso pela continuação do conceituado O Iluminado, mas com muito receio de que seja mais um filme cheio de clichê que esquecerei em uma semana.