O novíssimo projeto de Streamming da DC Universe surgiu da polêmica já na confirmação de elenco, para os mais reacionários a escolha de uma atriz negra para interpretar a queridinha alien Stellar não condizia com o proposto nos quadrinhos de Bob Haney e Bruno Premiani (até porque uma atriz laranja é corriqueiro de se encontrar).

Apesar do “blackwashing” alegado pelos fãs, a série se tornou a espera do momento e no final do ano de 2018 estreou em grande estilo, o piloto mostrou que a nova geração – apesar dos recursos limitados – seria páreo às grandes produções sem perder a identidade sombria que sempre esteve presentes nos filmes do Universo.

Contudo, o tiro – quase – saiu pela culatra, para alguns, o excesso de obscuridade prejudicou o roteiro que deixou as personagens em segundo plano, quase em ostracismo, assim como a celeridade em apresenta-los não foi adequada para sustentar a trama que se mostrou simples, sem um antagonista a altura, provando que o principal vilão dos Titãs é o passado.

Mesmo com um roteiro simples, a série é cativante, ao se despir dos preceitos e modelos prontos já comumente usados ao abordar heróis, o universo adentra em uma nova visão. Falar de assuntos tão delicados como abuso sexual, vício e a licença (ou reserva) moral sobre o certo e o justo é o espelho da geração que não aceita apenas arte pela arte, nada é parcial, tudo é político.

Ao ter retirado do pedestal personagens controversos como Batman que mantém uma difícil relação com o líder dos Titãs, Robin (futuramente, Asa Noturna), é o ponto chave da reinvenção, pois marca o processo de personificação aos quais os heróis passam, buscando sua identidade e não estarem às sombras dos principais. Donna Troy (ex-moça maravilha) agindo por conta própria e Dick Grayson (ex-Robin) jogando seu traje vermelho as cinzas simbolizam essa evolução, é como se fosse a ida dos filhos para a faculdade (risos).

Entretanto, é ilusão achar que a série é perfeita e está no topo da lista do gênero, mas difere muito de séries do Arrowverse que apresentam personagens rasos, simples e pré-moldados. Titãs é o espelho da nova geração por ser o ponto fora da curva e que se equipara a produções famosas da Marvel como Jessica Jones e Demolidor. Portanto, o projeto é a promessa de bons tempos vindouros da plataforma, que já produziu seu primeiro spin-off – Patrulha do Destino – que futuramente irá integrar Cyborg ao grupo.

A segunda temporada já teve sua estreia, mas isso é assunto para outro texto e não quero sobrecarrega-los com muita informação. Só nos basta torcer para que a nova temporada não seja tão parcimoniosa ao cravar o dedo na ferida dos personagens, seria interessante mostrar que vencer seu passado é que faz deles (ou de você) um titã.

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