A websérie produzida pela Amazon, adaptada dos quadrinhos de Garth Ennis e Darick Robertson, faz uma crítica deverasmente ácida ao modelo de sociedade que vivemos e a forma como a humanidade se apresenta. Ao que parece ser, primordialmente, uma crítica ao modelo de super-herói – o que não deixa de ser -, passa a ter uma conotação inerentemente mais profunda em relação ao que se apresenta.

A websérie produzida pela Amazon, adaptada dos quadrinhos de Garth Ennis e Darick Robertson, faz uma crítica deverasmente ácida ao modelo de sociedade que vivemos e a forma como a humanidade se apresenta. Ao que parece ser, primordialmente, uma crítica ao modelo de super-herói – o que não deixa de ser -, passa a ter uma conotação inerentemente mais profunda em relação ao que se apresenta.

Em resumo, o protagonista Hughie, um cara comum, vendedor de uma loja de eletrônicos, vê sua vida mudar em um milésimo de segundo quando presencia sua namorada ser atropelada pelo Trem-Bala, um dos intocados dos Sete – que se apresenta como “A Liga da Justiça” do universo, a qual é controlada pela corporação – quase seita – Vought, cuja função é agenciar os heróis e cuidar de sua fama e reputação. O crime mascarado de acidente por Madelyn, a calculista executiva da Vought, deixa o nosso – até então – apático e pouco carismático protagonista, inconformado.

Dedicado a provar o ocorrido, se junta a Billy Bruto, um agente do FBI (com ótimos contatos) que têm uma obscura motivação a expor a verdadeira face dos poderosos e o ímpeto de perguntar ao Capitão Pátria “Você sangra?” (Alô, Batman!).

Não é de agora que o padrão pré-moldado de um Super honesto, livre de obscuridades, sem desvio de caráter, de moral ilibada vem sendo criticado. Os últimos filmes da franquia O Homem de Aço e o fatídico Batman vs Superman da editora DC, ao menos tentou (peço desculpas, DCnáticos) trazer o queridinho Super-homem ao nível mais humano que ele poderia ser, apesar de que isso não foi feito com tanto brilhantismo como se apresenta em The Boys.

Nas duas há uma clara crítica ao que se espera de herói e a frustração com que ele se apresenta, mas em apenas uma isso condiz com a (triste) realidade em que vivemos e dá certo. Praticamente, trocaram gato por lebre, ou melhor, Billy por Hughie (só quem assistiu vai entender), já que inicialmente, os quadrinhos foram publicados pela DC, mas cancelados em seguida por terem conteúdo subversivo demais.

Ironicamente, subversivo é a palavra que mais se aproxima da síntese da série, e isso se evidencia nos mais diversos níveis como um super-herói cristão, “ex-gay” e ativista religioso que nos bastidores protagoniza sexo a 3 com mais dois homens. Qualquer semelhança com a realidade não é mera coincidência, a prepotência presente nas personagens, o ar de superioridade e a certeza da impunidade espelha o contemporâneo fenômeno de mitificação de líderes sociais como presidentes (execráveis), juízes (corruptos) e presidiários como em uma trama bizarra, egocêntrica, elitista e tão deplorável quanto à realidade.

Assistir a série é tão visceral quanto ler os subversivos quadrinhos, e o objetivo é esse: se deparar com a decadência do homem que vangloria sua humanidade enquanto se alimenta de sua hipocrisia. Para ficar mais claro, caso não tenha ficado evidente, parafraseando,

“se a ficção imita a realidade e ambas se influenciam mutuamente chega-se a conclusão de que o cenário não está bonito em nenhum dos lados”.

Caso você tenha se interessado pela série e deseja ouvir um pouco mais sobre ela, acessa nosso PodCast sobre ela, é só clicar no link aqui de baixo que você será imediatamente direcionado para o nosso CurumimCast.

Ah! Não se esqueça de deixar aí nos comentários sua opinião sobre a série. 🙂

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