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Maratona: House of Cards

Antes de tudo, deixe-me explicar como funciona mais essa novidade do Curumim Nerd. Maratona será uma publicação semanal sobre séries de TV – se os outros colaboradores quiserem, poderão usar para filmes, é claro. Como tudo nessa vida, ela vai seguir uma lógica bem simples. Se uma série não ultrapassar o limite de 24 horas totais, será publicada dentro de uma semana. Caso sejam 48 horas, duas semanas. E assim por diante. Ou seja, vou priorizar séries que tenham poucos episódios, mas que fazem muito sucesso. Isso se aplica muito às mini séries.

Com isso, no decorrer do tempo, teremos muito sobre o que falar. E é um ótimo exercício para eu fazer, já que tenho uma coleção imensa de séries que estão apenas esperando para serem (re) assistidas.

Dito isto, vamos iniciar. Lembrando que as Maratonas podem conter alguns spoilers, mas nada que vá frustá-lo ao ponto de querer me matar.

Escolhi a estreante de forma bastante consciente. Trata-se de uma série que fala sobre Política. Ah, você deve estar pensando: aff, já vi que é uma série chata. É aí que você se engana. Deixe-me explicar melhor. Trata-se de uma série sobre a Máquina Política. Todos os jogos de poder, troca de favores e a falta de escrúpulos para se chegar onde quer você encontra nela.

House of Cards é uma aposta da Netflix, serviço de streaming multimídia. Com um corpo técnico fortíssimo e excelentes atores no elenco, essa série conquista o espectador logo no trailer da primeira temporada. Quando você vê Frank Underwood (Kevin Spacey) falando diretamente com você (recurso de quebra da quarta parede), você já se sente importante – eu me senti assim, ué.

A direção de David Fincher é primorosa. Vemos sua assinatura nos primeiros dois episódios. O restante fica por conta de James Foley (3, 4, 9), Joel Schumacher (5, 6), Charles McDougall (7, 8), Carl Franklin (10, 11) e Allen Coulter (12, 13). O Roteiro de Beau Williemon é o ponto mais forte. Sua adaptação é extremamente competente e faz com que a narrativa seja fluida e instigante. A Netflix com certeza acertou em cheio em sua primeira produção exclusiva. Também não é pra menos. É possível ver que os US$ 100 milhões foram muito bem investidos nas duas temporadas. A segunda parte dessa trama está marcada para estrear mês que vem.

Benvindo a Washington.

Frank Underwood

A estória gira em torno de Frank Underwood, o corregedor da Câmara dos Deputados dos EUA que se sente traído ao não ser nomeado Secretário de Estado pelo presidente eleito com sua ajuda.

A partir desse momento, ele decide dar o troco em todos os envolvidos. É aí que você entra. Ele consegue fazer do espectador seu maior cúmplice nessa trama, uma vez que é algo bastante sigiloso e não pode contar para muitas pessoas. Exceto sua esposa, Claire Underwood (Robin Wright) e seu chefe de gabinete Doug Stamper (Michael Kelly).

Entra em cena também a competente Kate Mara no papel de Zoe Barnes, jornalista em início de carreira no The Washington Herald. Ela aproveita de um descuido de Underwood para se aproximar e apresentar a proposta de parceria. De um lado, ela publica notícias que o beneficiam enquanto ela mesma se beneficia com isso. Tudo o que uma jornalista iniciante quer é subir na cadeia alimentar.

As palavras importam, Srtª Barnes. Deveria importar-se mais com elas, considerando sua profissão.

Frank Underwood

Outra peça fundamental para o plano de Underwood é o deputado Peter Russo (Corey Stoll). Depois de descobrir que ele não é do tipo correto, Frank usa isso a seu favor. Como Russo já está com lama até a cintura, está disposto a fazer qualquer coisa pelo seu novo dono. Tudo o que Underwood pede é sua lealdade. Apenas isso…

Apesar de já vermos isso no primeiro episódio, no decorrer dos seguintes, temos cada vez mais certeza de que Underwood é capaz de tudo. Pensamos ‘será que ele nunca erra?’. A resposta a essa pergunta vem no sexto episódio. A casa de Frank e Claire é atigida por um tijolo, enquanto seu segurança entra para tomar um café. A administração enfrenta uma greve generalizada da classe de professores devido uma manobra arquitetada por Underwood para emplacar a Reforma da Educação, ele culpa os professores pelo atentado. O líder dos sindicatos, Marty Spinella (Al Sapienza) é convocado para participar de um debate contra Frank afim de chegarem a um acordo sobre o fim greve. É claro que tudo indica a vitória de Underwood, até porque a ideia partiu dele.

No entanto, em um momento de descuido, Frank se enrola nas palavras e vira motivo de piada por todos os noticiários. Mesmo assim, ele não perde a pose e corre atrás do prejuízo. Até que no final do episódio ele revela toda a verdade para Spinella. Diz que tudo foi planejado para que eles chegassem no ponto em que estão. Até que finalmente Spinella se rende e é forçado a acabar com a greve. A Reforma é assinada e Underwood ganha mais alguns pontos na caderneta do Presidente.

Outro episódio que mostra um lado desconhecido do protagonista é o oitavo. Em meio a algumas comemorações e bebedeiras, descobrimos que Underwood gosta de homens, pelo menos nos tempos de faculdade. Ele teve um relacionamento com seu amigo e isso é totalmente desnecessário para a trama. A não ser, é claro, que isso venha a se tornar algo maior na próxima temporada. Enquanto isso, deixamos isso de lado.

Chegamos ao episódio onde tudo parece perfeito, até que não. Conhecemos o lado de mulher vingativa de Claire Underwood. Como Frank não a ajuda quando precisa, ela resolve dar o troco. Faz com que o projeto em que está trabalhando em conjunto com Peter Russo seja rejeitado pela Câmara. Isso atrapalha, e muito, o plano geral de Frank e eles tem uma discussão séria no episódio seguinte.

De certo modo, o contratempo no episódio anterior só fez com que as coisas corressem mais depressa a partir daqui. Enquanto isso, Zoe recebe a visita de Claire e as duas tem uma conversa sobre as intenções de Frank. Por outro lado, Russo está a ponto de se autodestruir. Tudo está de acordo com as vontades de Underwood.

Após a conversa com Claire, Zoe fica mais atenta às reais ambições de Underwood e decide investigar mais profundamente qual seria a finalidade das ações dele. É nesse episódio que conhecemos o lado mais obscuro de Frank e que vai se tornar o ponto central da próxima temporada. O suicídio de Peter Russo.

Entre investigações e descobertas, deixa-se um grande gancho para a segunda temporada. Finalmente, Frank Underwood consegue o que queria desde o início. Torna-se vice-presidente e passa por cima de todos a qualquer custo.

Agradecimentos ao excelentes textos do EdenPop e d’O Anagrama

Kaio C. de Oliveira

Curumim Nerd desde o tempo que colecionava HQs do Spawn e carrinhos da Hot Wheels. Hoje joga Dota 2 e CS mais do que o normal e faz TCC sobre e-Sports. Viciado em suco de muruci e tapeberebá.