Sim, é muito quente.

imagem/reprodução do vídeo “Carimbó com merengue” – Jaciara Borari.

Antes de adentrarmos na questão principal do texto, preciso fazer algumas considerações a respeito do que esse título remete. A grande maioria do público que nos ler [Curumim Nerd] faz isso pelos assuntos voltados para o Universo Nerd/Geek, aqui podemos citar Super-heróis, Star Wars, Animes e afins. Muito provavelmente, se você for um leitor recorrente desse belo e modesto site, deve estar se perguntando: “Por que cargas d’água tem um texto sobre carimbó e merengue aqui?”. Fique calmo, jovem padawan, continue a leitura e você vai se surpreender.

Primeiramente, vamos esclarecer de forma bem simplista o significado do termo “Cultura Pop”. A Industria Cultural, formada por grandes empresas, transformam a essência da Cultura Erudita (tipo Beethoven) junto com a essência da Cultura Popular (tudo que não é Beethoven) em Cultura de Massa, que nada mais é do que a arte formatada e padronizada para ser consumida, ou seja, eles pegam tudo, misturam e depois comercializam em embalagens bonitinhas.

Contudo, com a evolução dos mecanismos de comunicação e ressignificação da arte, surge, através da Cultura de massa, a Cultura Pop que, nas palavras da Professora Andreia Moura:

Cultura Pop

A cultura pop, embora sujeita as regras do mercado, das teorias da indústria cultural e da cultura de massa, produz um efeito diferenciado, no sentido contrário à ordem massificadora.
– Prof. Andreia Moura

Podemos dizer, assim, que a Cultura Pop é tudo aquilo que se beneficia das regras mercadológicas, mas subverte a ordem padrão e transforma o conceito do que é Popular e Erudito.

Agora sim, dito isso, podemos falar, enfim, sobre a delícia que é o fenômeno Priscilla Castro e sua honraria à Cultura Amazônica (principalmente paraense) que é a produção áudio-visual de “Carimbó com Merengue“.

imagem/reprodução do vídeo “Carimbó com merengue” – Priscilla Castro.

Se você leu até aqui, sinto que cumpri meu papel em divulgar esse trabalho incrível, por isso, vou deixar o vídeo para você ver e se deliciar antes de expor minha nem tão humilde opinião a respeito dessa idílica produção.

Agora que você já viu o vídeo, decorou a letra e já compartilhou com seus amigos, é hora de discutirmos o porquê de Carimbó com Merengue ser tão relevante para a Cultura Pop.

Corriqueiramente, cometemos a trágica gafe de voltarmos nossas atenções inteiramente ao que é forasteiro, os filmes, os livros, as músicas que consumimos são – majoritariamente – produzidas pelo estrangeiro. Mas isso é compreensível, somos constantemente condicionados a gostar e valorizar aquilo que “vem de fora”, parte disso se deve ao nosso complexo de vira-lata em achar que nada produzido no Brasil tem qualidade, ou pela pressão ideológica consubstanciada pelo capitalismo norte-americano, ambas as teorias nos fazem crer que a arte “deles” é melhor que a nossa.

Aí está o erro terrível, não a valorização do estrangeiro, mas sim olvidar o que temos de melhor – a cultura. Quando uso esse termo genérico é no intuito principal de deixar o termo mais livre possível para você ressignificá-lo, afinal, esse é o efeito que Priscilla Castro e seu Carimbó (permitam-me o neologismo) “Amerenguizado” traz, ressignifica o que é Cultura Pop, ressignifica a música regional e questiona (acredito que sem querer) a fidelidade musical de quem a ouve.

Ademais, o vídeo é incrível, essencialmente regional, não economiza na divulgação do paraíso amazônico como forma de deixar um legado para essa Geração de novos artistas, novos compositores, novos cantores, de que o sucesso está na essência, não na forma.

imagem/reprodução do vídeo “Carimbó com merengue” – Priscilla Castro e Coletivo de Mulheres Indígenas Suraras do Tapajós.

É muito importante destacar a presença de duas grandes artistas, referências da música Nortista no Brasil, estamos falando de Jana Figarella – compositora dessa letra maravilhosa – e Lia Sophia que a canta em parceria com nossa homenageada Priscilla. As três formam a amazoníssima trindade regional que nos deixou de boca aberta, convenhamos.

Vale destacar que Priscilla não inaugura esse fenômeno de expansão do Norte, outros nomes da música atual como Jaloo, Gaby amarantos, Lia Sophia e Jana, que por suas vezes beberam da fonte de Nilson Chaves, Fafá de Belém e Vital Lima dentro outros, perfazem esse caminho trilhado para a valorização e propagação de nossas raízes. Antes de darmos qualquer aplauso a querida Priscilla Castro, devemos, primeiramente, aplaudir – de pé – quem já trilha esse caminho há tempos, dentre muitos, podemos citar Dona Onete, Verequete e Pinduca.

imagem/reprodução do vídeo “Carimbó com merengue” – Lia Sophia.

Por fim, só tenho a agradecer a todos os artistas regionais que se tornaram POP na medida em que deram um novo significado a Cultura Nortista e a Cultura Popular que segue espalhando boa música e alegria por todo o Brasil.

Viva a Cultura Amazônica/Tapajônica/Paraense e Popular! Viva a Cultura de Santarém! Viva a Amazônia!

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