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Entenda a importância do Caso Nostalgia

Antes de tudo, gostaria de parabenizar o Canal Nostalgia pela vitória obtida no início dessa semana.

Se você não sabe do que estamos falando, por favor, acompanhe-nos. O Canal Nostalgia é uma produção de conteúdo exclusivo para o YouTube, no qual são apresentadas todas as semanas uma compilação de informações para determinado tema que um dia fez parte da nossa infância. Felipe Castanhari está a frente do Canal, juntamente com Fábio de Almeida e uma equipe formada por mais 5 pessoas.

Porque reviver coisas da infância é legal pra cacete!

Início dos Problemas

Depois de ler o excelente artigo de Thassius Veloso, no TecnoBlog, resolvi fazer esse de uma forma mais resumida, abordando os pontos principais. Portanto, se você quiser ler o artigo completo, com todas as informações possíveis, basta vir aqui. O YouTube possui um sistema para detecção de violação dos direitos autorais bem sofisticado. E alguns vídeos do Nostalgia foram vítimas desse sistema. O primeiro strike, punição severa para casos de uso indevido de conteúdo autoral (somando-se 3 strikes o canal é terminantemente fechado e o usuário é impedido de criar um novo no YT), aconteceu devido à publicação de episódios contendo imagens d’As Meninas Super Poderosas e Johnny Bravo.

O segundo strike veio da Fox. O episódio em questão falava sobre Os Simpsons. O sistema detectou automaticamente que havia material autoral e, por sua vez, houve uma reclamação também automática, mas nada de strike. Castanhari ainda tentou se comunicar com a Gigante, sem sucesso. Em resposta, a dita-cuja manteve a reclamação e aplicou o strike. Com esse, já são dois.

O strike matador veio também da Raposa – endendedores entenderão. Segundo ainda o Tecnoblog, Felipe disse que o vídeo sobre Os Simpsons foi reeditado para retirar a parte marcada como violação. O problema foi que Castanhari não sabia que o vídeo já havia sido marcado e resultado em strike. Após isso, Nostalgia foi impedido de adicionar novos vídeos e muitos foram excluídos.

Castanhari iniciou sua corrida para tentar solucionar esse possível equívoco em relação ao seu Canal. Pediu ajuda em seu segundo canal, onde arrecadou mais de 275 mil inscrições em menos de 5 dias, de todas as pessoas que pudessem colaborar. Qualquer pessoa que pudesse entrar em contato de alguma forma com uma divisão ou mesmo que fizesse com que a Fox respondesse aos seus pedidos de esclarecimento. Ele atirou para todos os lados.

Depois da Tempestade

O que ele provavelmente não imaginava era que o seu caso se tornaria um marco na História da Internet. Felipe Castanhari será conhecido a partir de ontem como o brasileiro que brigou e ganhou a disputa, mesmo em uma escala ínfima, contra uma grande empresa que faz parte da turma que não quer dividir nada com ninguém. De quebra, teve um grande movimento em relação ao seu canal que antes contava com cerca de 860 mil assinantes e agora possui mais de 950 mil! Esse é o vídeo de agradecimento depois de ter passado por esse sufoco (clique na imagem para não precisar sair daqui e depois continuar lendo):

Mas qual a importância disso na minha vida, Curumim?

As grandes empresas da Mídia não sabem a diferença entre uma homenagem e uma cópia de seus materiais. Casos como o que Nostalgia sofreu não são novidades. Milhares de vídeos são retirados do YouTube por serem considerados concorrentes ou violação dos direitos autorais de produtos produzidos por essas empresas. No dia em que as grandes corporações perceberem que os internautas são muito mais úteis consumindo o produto deles de forma indireta – por meio de sites de entretenimento, redes sociais, grupos de discussão, e os zilhões de aplicativos multiplataformas – do que sendo alienados pelos seus métodos medievais de consumo de cultura, elas perceberão quanto tempo [e dinheiro] foi perdido na busca de tentar bater de frente com um fato inevitável: o mundo mudou. Não estamos mais presos a uma sala com uma TV para assistir a um filme, séries, shows; ou a um microsystemwalkman ou cd player para ouvirmos nossas músicas preferidas. Não estamos mais presos a regras antigas de consumo de cultura. Consumimos o que queremos, quando queremos. E uma dentre os grandes responsáveis  por isso estar acontecendo é a Internet. Por tanto, empresas-detentoras-dos-direitos-autorais, ouçam meu singelo pedido: não sejam tão pau-no-c* como a Raposa foi. Libertem-se! Internet-se

Obrigado.

Agradecimentos ao Tecnoblog pelo excelente artigo. E se você quiser saber um pouco mais da vitória de Castanhari, leia isso

Kaio C. de Oliveira

Curumim Nerd desde o tempo que colecionava HQs do Spawn e carrinhos da Hot Wheels. Hoje joga Dota 2 e CS mais do que o normal e faz TCC sobre e-Sports. Viciado em suco de muruci e tapeberebá.