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Eles Influenciam Você?

Mais como uma forma de diversão, os mangás são também uma forma de literatura. E e por tal capacidade, influencia muitas pessoas ao redor do mundo. O Curumim nerd resolveu fazer um apanhado de alguns mangás e artistas que foram reflexos de seu tempo, influenciaram alguém, ou até mesmo outros mangakas. Confira nossa seleção e divirta-se:

1 – A Rosa de Versalhes

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Na década de 1970, o Japão ainda vivia suas tradições mais obsoletas. A tradição que ainda permeava desde tempos remotos até essa década era a do casamento como negócios. Oferecer a filha em casamento a um pretendente de uma família tradicional e rica, cheia de negócios, era tirar a sorte grande. Para desespero das meninas que sonhavam com um futuro bem-sucedido, elas entravam na escola já sabendo que o futuro que as reservaria seria: fazer o café, levar os pimpolhos na escola, voltar, preparar a comida e passar praticamente a tarde toda sozinha esperando o marido e os filhos voltarem de suas atividades. Vida bem vazia, não? Nos anos 80, o governo até fez um programa de auxílio financeiro a essas mulheres, mas não mudou em nada o sentimento de solidão das donas de casa. Só seus bolsos que tinham alguns Ienes a mais.

Já explicamos que as meninas iam para a escola com esse futuro, certo? Pois bem. Se elas tivessem contato com uma mulher, guerreira, que lutasse pelos seus direitos, criticasse a sociedade machista, fosse bem sucedida, casasse por amor e não por negócios, elas iam tomar essa mulher como um espelho e lutar por aquilo que sonhavam. E essa mulher apareceu, sim! Mas não era de verdade, estava desenhada a nanquim e sombreada com retícula. Seu nome era ‘Oscar’, era protagonista de um mangá Shoujo criado por Riyoko Ikeda, em 1972 chamado Versailles no Bara (Rosa de Versalhes).

A história é simples, mas bem inovadora para o seu tempo. Passa no período da Revolução Francesa. Oscar tinha sido criada por seu pai como garoto, para um dia ela fazer parte da guarda real de Maria Antonieta, junto com André, amigo de infância e amor platônico de Oscar (sua melhora amiga também era apaixonada por André). Oscar conseguiu se tornar Capitã da Guarda Real, após ter lutado muito por isso, e viveu amor verdadeiro com seu subordinado André. Para as meninas japonesas isso era um marco. Sim, uma mulher lutava pelos seus ideais sem temer a nada, implacável, paladina, poderosa. As meninas acompanhavam cada capítulo como uma descoberta diferente, um sonho de uma sociedade mais preocupada com o que as mulheres queriam, e esse futuro só partiria delas próprias, assim como ‘Lady Oscar‘.

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Até que um belo dia, defendendo seus ideais na Bastilha, Lady Oscar… morreu!. As garotas no Japão inteiro simplesmente não acreditaram. Faltaram às aulas dia seguinte, algumas trancaram-se no quarto, deixaram de comer. As meninas choravam inconsolavelmente, parecia que o Japão inteiro estava chorando. Seu modelo máximo não teve um final feliz com seu amor e suas conquistas. O destino das leitoras seriam a mesma coisa, pensaram elas. Mas todos sabem que hoje a situação é muito, muito diferente.

2 -Sazae-san

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Pokemón e One Piece, em termos de número de episódios não são nada comparados a Sazae-san, que foi inspirado do mangá homônimo desenhado por Machiko Hasegawa. Foi criado em 1946, terminado em 1974, e ainda hoje é exibido em forma de anime. São mais de 6000, isso mesmo, 6000 episódios! Mas leve em consideração que é um episódio por dia, e os outros são um por semana. O título até ganhou um espaço no Guiness Book, como a maior série televisionada de toda a história.

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O que exatamente Sazae-san tem de especial? Conta a história de… Sazae, uma mulher que para sua época era considerada inovadora: cão aceita de forma alguma o marido ser o cabeça da família, frustrando parentes e vizinhos. É um mangá reflexo de seu tempo. 1946 é um ano após a guerra, enquanto o governo preocupava-se com o ‘Milagre Econômico‘ – e conseguiu – as famílias preocupavam-se mais com a restauração dos bons costumes e hierarquias entre os clãs (Sazae queria somente fazer com que sua família fosse a ‘família moderna Japonesa pós-guerra‘). As histórias são muito cômicas, principalmente depois que Sazae decide virar uma feminista. Sazae-san está para Japão assim como ‘Os Simpsons‘ está para os EUA. Mas diferente d’Os Simpsons, as situações cotidianas de Sazae e família são moldadas em parâmetros familiares de anos 40, 50, 60… (nada de videogames, consumo exacerbado, etc), colocando na balança entre nostalgia e diversão, a balança fica equilibrada. Esse é o segredo do sucesso da franquia.

3- Captain Tsubasa

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Mais conhecido no Brasil como ‘Super Campeões‘, esse anime deixou muito moleque em casa só para ver os chutes sensacionais de Tsubasa, as defesas monumentais de Wakabayashi, e todos os absurdos que só Captain Tsubasa poderia fazer. A história é bem clichê, é verdade. É ‘o menino que quer ser bom no que sonha, se esforçando e agregando valores como amizade, companheirismo, rivalidade, etc. Esse anime, inspirado no mangá de Yoichi Takahashi, fez muito sucesso no Brasil. Mas pense comigo, em um país em que o futebol ‘está no sangue’, é fácil uma série desse porte fazer sucesso aqui, não? Pois no Japão, ela fez mais sucesso ainda. Só pra ter uma ideia, a série foi feita para promover o esporte, conseguindo até aval da Federação Japonesa de Futebol . Ou seja, fazer uma série de um esporte não tão bem apreciado em um país e ela ainda fazer sucesso, é no mínimo brilhante. A série abriu os olhos dos japonesinhos para o esporte e isso fomentou a criação de clubes e escolinhas, além da popularização meteórica do esporte. Os jogadores da Seleção Japonesa anfitriã da Copa de 2002, por exemplo, cresceram lendo Captain Tsubasa, e alcançaram o mesmo objetivo do protagonista de chegar à seleção. Esse ano, o autor abriu uma escola de mangás chamada Manga Academy Tsubasa Juku. Será uma escola com os níveis básico e profissional. As atividades iniciarão dia 18 de dezembro.

4 – Hikaru no Go

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Hikaru no Go foi escrito por Yumi Hotta e desenhado por Takeshi Obata (responsável pelos magníficos traços de Death Note e Bakuman). O mangá é sobre um garoto chamado Hikaru Shindo, que se interessa por um jogo chamado Go, através de um fantasma viciado chamado Sai. Go é um jogo de tabuleiro assim como Xadrez e Shogi, porém, com um estilo bem diferente de captura de peças. No entanto, era um jogo que vinha sendo esquecido pelas novas gerações (imagine viver num país onde se lançam games todos os dias com um preço acessível), e foi sendo taxado de ‘Jogo para velhos‘. Hikaru no Go praticamente liquidou esse estereótipo. 22 Milhões de cópias vendidas depois e o Go foi tornando-se novamente popular. Alguns clubes de Go foram sendo abertos novamente e alguns outros foram criados, fora isso, as crianças e jovens começaram a jogar e participar de torneios. No ocidente, a Associação Americana de GO registrou cerca de 200 clubes novos devido ao sucesso. No Brasil, Hikaru no Go foi lançado pela JBC.

5 – Osamu Tezuka e Akira Toriyama

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Osamu Tezuka é tido por muitos o ‘pai do mangá‘. Ele não os criou, é verdade, mas os popularizou criando séries de muito sucesso. Entre os mais de 700 mangás, está ‘Astro Boy‘, conversando com outros artistas ao redor do mundo, como Maurício de Souza, e criando um estúdio próprio de Animação. Além de tudo isso, ainda deixou um legado para as gerações futuras. Na tal geração futura estava o divertido, gênio e pervertido assumido Akira Toriyama.

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Se Osamu Tezuka popularizou os mangás em geral, Akira Toriyama popularizou o Shonen. Alguns dizem que foi Masami Kurumada, mas nos Shonens atuais tem os seus momento de ação, cotidiano e diversão bem dispersas. Isso não lembra mais Dragon Ball e Nekomajin do que Saint Seiya?

6- Slam Dunk

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Desenhado por Takehiko Inoue, foi o mesmo caso de Captain Tsubasa, porém dessa vez, popularizou o basquete, sem falar que é um clássico dos anos 90. Fora isso, ainda influenciou o autor de ‘Kukoro no Basket‘, Tadatoshi Fujimaki. Seguindo essa linha, será que Haikyuu conseguirá tornar o vôlei popular no Japão?

7- Death Note

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Dispensa apresentações. Mangá escrito por Tsugumi Ōba e desenhado por Takeshi Obata, conta a história de Light Yagami, o qual encontra um caderno que mata pessoas ao escrever seus nomes. A partir disso, o estudante deseja criar um novo mundo sem criminosos e pessoas más, planos que são interrompidos por ‘L‘, um famoso detetive particular.

O que esse mangá influenciou na verdade foram os debates sobre a verdadeira justiça. Matar criminosos? Mas matar também não é errado? Existem fóruns e mais fóruns na internet direcionados ao assunto e já foi tema abordado nas escolas japonesas. O tema também foi abordado em pequenos debates no próprio mangá e até na consciência dos personagens.

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Estou tão ocupado ultimamente que só consigo ser Otaku 23 horas por dia