Ouso dizer que não há um só indivíduo apático aos gêneros do cinema. Alguma vez na sua vida você já assistiu a um filme e gostou, seja pela atuação dos personagens, a fotografia, a trilha sonora ou porque você simplesmente se viu na obra. Dos mais variados gêneros, existe um que, dentre os poucos, consegue abarcar todas essas características que nos apaixonam do início ao fim do filme: Animações.

Alguns gêneros de cinema possuem um ritmo quase que ontológico, buscando tratar a natureza, realidade e existência dos entes. Isto pode ser percebido nos filmes de animação de uma forma muito mais clara do que nos ouros gêneros cinematográficos. Talvez a explicação esteja no fato das animações conseguirem transmitir até as mais profundas mensagens sem deixar que a magia ingênua do gênero seja esquecida.

A magia ingênua“. Não consigo conceber outro conceito para este gênero. As animações, por vezes, são imaginadas como filmes feitos para crianças, onde o enredo tem por objetivo encantar a criança que está do outro lado. Por isso é mágico e ingênuo. Essa magia se estende quando afeta também os adultos ou a criança que ainda habita dentro deles. Essa definição eu deixo a seu critério.

Se você já teve a oportunidade de assistir, com certeza conseguiu compreender que o idoso rabugento e ranzinza chamado Carl Fredricksen, em Up: altas aventuras, dirigido por Pete Docter, na verdade é alguém ferido e agredido pela vida, encontrando no personagem de Russel, traços que um dia teve, mas que acabaram se diluindo com o tempo.

De forma divertida e magnifica, você também pode ter tido a ventura de entender que a sua mente é habitada pela alegria, raiva, nojo, medo e tristeza e, que na ausência da alegria, tudo pode desmoronar. É uma verdadeira terapia e percepção ontológica explicitada na forma de animação em Divertida Mente. É possível pensar a contradição brilhante entre alegria e o decesso no enredo que envolve o tema da morte e o que nos espera (ou não) após o fim da nossa jornada neste caótico mundo terreno em “Viva- A vida é uma festa”.

A lista é longa e espetacularmente rica em suas mensagens. Por último e não menos valioso, é importante lembrar do jovem camaleão que passa por uma tensa crise existencial, é jogado para fora de seu conforto, numa cidade empoeirada e acaba se tornando o xerife da mesma. Sim! Estou me referindo ao filme “Rango”, dirigido por Gore Verbinski.

Além disso, nesta animação há a discussão sobre como um líder político pode manipular a massa, fazendo com que acreditem estarem numa imensa pobreza, quando na verdade a riqueza está sendo escondida e destinada ao uso de poucos. Mas deixarei esse assunto para quando estivermos falando sobre a realidade política brasileira.

Por fim, o que todas estas animações listadas possuem em comum além de indicações e premiações ao Oscar? Elas gozam da mais fina linha entre o animado e o real. As animações conseguem, de forma simples e divertida, nos remeter a nossa natureza, nossa existência, nossa realidade e tudo o que é comum e inerente a todos. Acredito não ser mera coincidência que as animações sejam a ontologia humana, os conceitos imersos neste tipo de classe cinematográfica fazem com que este maravilhoso gênero ganhe cada vez mais destaque nos espaços de discussão, além de reforçarem a premissa de que as animações não são apenas para crianças e sim para todos os que e se dispuserem a mergulhar nessa ingênua magia.

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